1 de ago de 2011

Carta para a Solidão

1 de Agosto de 2011

Por cada linha que escreves sinto o sufoco das tuas mãos. A tua pele desgasta-se com mais frequência e as lágrimas inundam os teus olhos com mais rapidez. A tua fé desfaz-se sem nenhum motivo, e o teu motivo não tem propósito. E ficaram estas linhas marcadas na mesa, marcadas nas paredes, nos guardanapos de papel, nos espelhos…nos nossos corações.
Já não recebemos cartas, nem postais, nem mensagens dos pássaros, nem pedaços de recordações. Já não sentimos a tua presença, já não mais, e ainda bem que é assim, pois quando estavas aqui sentíamo-nos enjoados, maldispostos com tudo e não nos apetecia sair para nada.
Mas as vezes atreves-te a aparecer assim do nada. Apareces do nada sem avisar sem dar explicação, se bem que isso não importe, pois é a tua maneira de ser. E depois como se nada disso contasse ficas por aqui a olhar para os quadros, a secar as flores, a desprezar os outros e só a importares-te contigo. Egoísta.
Mas vai-te embora rápido. Não te queremos por aqui outra vez, não queremos saber nada mais de ti nem das tuas coisas. Nunca mais voltes sem que eu te peça. Simplesmente vai-te embora, Solidão.

De mim.

4 comentários:

Cristina Fitas disse...

Adorei, está fantástico.
Só espero que os leitores não fujam com o teu "Mas vai-te embora rápido. Não te queremos por aqui outra vez..." :D
Adorei mesmo

DavidPampillo disse...

obrigado ;)

Anônimo disse...

gostei muito david :) rita pimenta*

DavidPampillo disse...

obrigado ritinha ;)