Vem lá do mar o chamamento
Da escuma branca e saliva
O animal que brama cá dentro
Com tal raiva que vacila.
Não tem medo nem negrume
Este animal tão sedento
De uma paz que acalme o sangue
Do mais sentido sofrimento.
Vem lá do mar o encanto
De uma deusa que envenena
Com quais mãos de beleza
E um espírito que serena.
Umas hostes se levantaram
Por onde o mar é mais profundo
Vindo do fundo esse monstro
E que dentes se apertaram.
Os botes todos virados
As naus
todas partidas
Nem uma alma
vi eu viva
No meio da
minha partida.
Veio-me a
espuma dizer
Que a minha
família me espera
Que choram
por mim minhas feras
Com que
raiva que prolifera.
A espuma já me
chegou aos pés
Mas eu
mandei-a de volta;
Pedi-lhe que
fosse ter
Com aqueles
que realmente importam.
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