Quem somos nós, povo sem voz que se deixa levar nesta eterna desdita.
Muito falámos, mas também pouco dizemos. Queremos nos fazer ouvir custe o que custar e pouco ou nada queremos ouvir dos outros.
Todos esperam falar perante um público e que este nos encha de ovações.
Mas um dia, quando nos levantamos pela manhã para reiniciar a nossa rotina de diálogos em que esperamos que alguém nos ouça, algo acontece, algo terrível acontece.
A voz falha, e quando a nossa voz falha deixamos de existir, deixamos de existir neste mundo ao qual mudos não conseguem se fazer ouvir.
É em silenciosos apelos que tentamos chamar a atenção de alguém, mas nada resulta.
Perante tal infortúnio, tentamos sobreviver, e é aí que entram as palavras. Se não poderei pronunciar-me terei de escrever. Escreverei tudo e mais alguma coisa, escreverei sobre mundo e o “nada”, e continuarei, continuarei a escrever até que as palavras me falhem, e se falharem…
Bem, isso já é outra história.
3 comentários:
LINDOOOOOOOOOO! **palmas, de pé, para um texto tão adequando à conjectura actual**
As palavras nunca faltarão, enquanto tiveres algo a dizer!
Obrigada
No momento que escrevi o texto não me faltaram palavras, mas estas esgotaram-se porque agora já tenho voz para poder me pronunciar.
muito bom cristina ;) muito bom mesmo!
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